#CorujasCriativas, especial mês das mulheres - 8: Margaret Paim


Por Elizandro Duarte

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A escritora norte-americana Susan Sontag, em um de sues livros mais conhecidos, questiona a capacidade das pessoas em sentir a dor do outro, de compartilhar momentos e demonstrar

interesse pela vida alheia. Com a curiosidade que é marca registrada de todo bom jornalista e o interesse em contar histórias reais, Margaret Paim fez da comunicação sua atividade

profissional e na Sabedorama encontrou a oportunidade de se reinventar!


Qual a sua área de atuação?

Jornalismo. Empresária na área da comunicação jornalística, proprietária do Jornal Correio Francisquense.


Quando e de que forma o desejo empreendedor entrou na sua vida?

Quando você nasce em uma família de seis mulheres, não tem como crescer sem passar pela necessidade de empreender. As circunstâncias te obrigam a criar possibilidades diárias de sobrevivência. E isso se aprende no dia a dia principalmente, nas dificuldades de quem está à frente no comandando da tropa. Espelhei-me na coragem e determinação de minha mãe, que em seu tempo conosco, buscou resolver conflitos, administrou suas necessidades e frustrações, e mesmo em situações difíceis, manteve a automotivação e exerceu seu poder de liderança - habilidades necessárias para um empreendedor de sucesso. Empreender consolidou-se com a maturidade, mas foi na adolescência e, com o exemplo da matriarca, o desejo de empreender nasceu nas horas de brincadeiras. Lembro quando ia na casa de uma das amigas e dava um jeito de brincar dentro do comércio de seus pais. Criava brincadeiras de como ser empresária. Eu me achava dona do negócio. Com o tempo, a necessidade de compartilhamento e a forte curiosidade pelo o que acontece na vida das pessoas foram delineando minha carreira profissional. No início, queria contar histórias, escrever poesias, aos poucos criei um olhar mais apurado para as políticas públicas e o sentimento de pertencimento e participação ativa na comunidade. Isso tudo fez redirecionar o caminho e trazer a razão que me impulsiona todos os dias a levantar cedo: viver de contar histórias reais.


Em sua opinião o que significa “ser empreendedora”?

Empoderamento! Capacidade de criar ou recriar e administrar um negócio, principalmente em uma realidade repleta de conflitos, burocracia e preconceitos. Empreender traz

encorajamento e independência às mulheres para enfrentarem as adversidades impostas pela

sociedade capitalista liberal que tem como premissas o paternalismo, e a individualidade.


Qual a importância do conhecimento para quem deseja empreender?

Única. Não há construção do empreendedorismo sem conhecimento.


Você recomenda para os empreendedores a realização de cursos de capacitação e aperfeiçoamento?

Sempre. O mercado evolui e exige mudança. As constantes inovações mundiais, sejam na inserção de novas tecnologias e modelos de negócios, e na amplitude e rapidez de como o mundo se comunica, é imprescindível a atualização profissional. Cursos de capacitação e aperfeiçoamento devem ser rotinas diárias.


Qual o conselho que você pode dar para uma empreendedora que deseja abrir um negócio no mesmo segmento que você atua?

Muito me norteio com os pensamentos da filósofa Susan Sontag, que em um de seus livros

questiona a nossa capacidade de sentir a Dor do Outro. Quando alguém mostra interesse pelo meu negócio e profissão, costumo responder com uma pergunta. Você sente a dor do outro? Se interessa por políticas públicas – pelo buraco da rua que pode vir a causar um acidente, pelo aumento da taxa do lixo, a falta do professor na sala de aula, a nova lei que beneficia os aposentados, entre muitos assuntos que interferem no cotidiano das pessoas? Se a resposta for positiva, recomendo investir no negócio pois valerá o investimento. A prática do jornalismo dá-se pela credibilidade do trabalho de seus protagonistas, da confiança de seus leitores e clientes. São essas premissas que defino para meu trabalho na atuação como empresária. Contudo, para qualquer empreendedor os desafios podem ser diferentes, mas o caminho não difere: é no dia a dia que vimos resultados. Então, para os sonhadores como eu, exercer a profissão ‘Jornalista’, requer sobretudo, o gosto por políticas públicas. Importar-se com os problemas dos outros, estar imbuído da curiosidade de conhecer o cotidiano das pessoas e ser flexível às inovações e suas evoluções. Jornalismo é exercício diário, é realidade.